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Estudos assistidos por IA: o que tem funcionado para mim

Quatro práticas para usar a IA como apoio nos estudos sem transferir para ela o trabalho de pensar, questionar e aprender.

Autor: Kayo Silva5 min de leitura

Ilustração sobre Estudos assistidos por IA
Neste artigo

Nos últimos dias, tenho colocado a IA de uma maneira mais ativa nos meus estudos: tenho criado desafios diários sobre os temas que estudo e apostilas sobre o conteúdo prático que venho aprendendo. Uma coisa que decidi fazer em meus projetos pessoais foi desligar o autocomplete da minha IDE. Quando tenho dúvidas, questiono a IA e tento entender e aplicar aquele conteúdo. Isso me lembra, de certo modo, a época em que eu estudava lendo artigos do Stack Overflow, assim como os devs incas e maias faziam kkk.

Brincadeiras à parte, essa forma de estudar tem me dado bons resultados de fixação. Então, depois dessa breve abertura, vou elencar o que tem funcionado muito bem nos meus “estudos assistidos por IA”, digamos assim.

Dica 01: Volte a questionar

Com o uso crescente da IA, vejo que muitas vezes deixamos um pouco de lado os questionamentos que habitualmente fazíamos e apostamos tudo na confiança que temos nas IAs. No início isso pode parecer bobo, mas, se vira um hábito recorrente, muito em breve você estará refém das decisões técnicas do agente mais próximo de você.

Então, minha dica aqui é voltar a exercitar aquele senso crítico e questionador que existe dentro de você. E como fazer isso, você deve estar se perguntando? A forma que encontrei foi baixar uma IDE totalmente crua, sem autocomplete e sem nenhum auxílio interno na hora de codar. Optei pelo Zed.

O que faço nesses projetos pessoais é codar livremente, pensar nas melhores soluções e, quando esbarro em algum problema ou tenho alguma dúvida, usar a IA como fonte de pesquisa: faço minhas perguntas, questiono quais seriam os impactos e se existem formas melhores de aplicar aquilo além do que ela me retornou na primeira vez.

Consegue enxergar a diferença? Você deixa de ser totalmente sugestionado pela IA ou pelo autocomplete e começa a entender as necessidades que precisa suprir no meio do desenvolvimento, buscando soluções e questionando por que uma solução é melhor do que a outra no seu projeto.

Dica 02: Se desafie

A IA trouxe uma facilidade que não tínhamos antes: criar desafios práticos sobre um tema específico que você está estudando agora, gerados de uma maneira mais personalizada e adaptada ao seu nível.

Um exemplo prático: você começou a estudar lógica e algoritmos em JavaScript. Uma das coisas que pode pedir é que a IA crie desafios para praticar o que está aprendendo. Ex.: “crie desafios em que eu possa exercitar O(n), O(log n) e O(n log n)”. Assim, ela vai gerar exercícios em cima exatamente daquilo que você vem estudando.

Outra maneira de se desafiar é gerar quizzes e flashcards sobre esses mesmos temas. Tudo isso ajuda a fixar o conteúdo. Abaixo, um exemplo bem simples que gerei para te mostrar:

Exemplo de quiz gerado por IA
Exemplo de quiz gerado por IA

Dica 03: Crie um material personalizado

Essa é, disparado, uma das dicas de que mais gostei. Poder levantar diversos temas que estou estudando e compilá-los em uma apostila, onde eu posso ler, anotar e grifar o conteúdo, foi simplesmente genial. Todos os dias separo um tempo para ler o material criado e revisar os conteúdos junto das outras formas de estudo e das aulas que venho assistindo.

E criar esse material não é nada difícil. Eu mesmo só separei os temas que me interessam e se relacionam entre si, expliquei o nível que preciso estudar (baixo, médio ou alto) e pedi para o agente criar a apostila. Você pode até imprimir, se quiser; eu costumo usar em PDF mesmo, com a ferramenta de marcação do próprio Chrome.

Dica bônus: Turbine seu material

Uma coisa que fiz para turbinar o material de estudos foi pedir para a IA, ao final de cada conteúdo, um desafio em que eu possa criar um pequeno projeto envolvendo o tema estudado. Além disso, peço um prompt pré-definido: eu só colo no agente mais próximo e ele gera perguntas que me ajudam a reforçar ainda mais o assunto.

Antes de finalizar

Gostaria de mencionar o vídeo que me ajudou a aplicar esses métodos de estudo com IA e que hoje posso repassar para vocês: Não FIQUE BURRO estudando com IA., da Fernanda Kipper. É um ótimo vídeo em que ela destrincha como podemos usar a IA a favor dos nossos estudos.

Fechando

Se tem uma coisa que amarra todas essas dicas, é o esforço. A IA encurtou demais o caminho até a resposta, mas aprender continua sendo aquele processo chato de errar, questionar e refazer. O que mudou é que agora eu tenho um parceiro de estudos disponível 24h, e não alguém para pensar no meu lugar.

E repara que nenhuma dessas dicas exige largar as ferramentas. Eu não abandonei o autocomplete no trabalho; só desliguei nos projetos onde o objetivo é aprender, não entregar. É uma diferença pequena de configuração e enorme de resultado.

Minha sugestão: não tente aplicar as quatro de uma vez. Escolha uma e teste nesta semana. Depois, me conta como foi.

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